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Empreender sozinha não deveria ser tão solitário: sobre amizade, carreira e conexão depois dos 40

Eu não tenho amigas, e admito que foi escolha minha. Neste texto falo sobre a solidão de quem empreende sozinho depois dos 40, por que isso afeta também o seu negócio e o que eu acredito que faz diferença pra construir e manter conexões de verdade.

Daniella Pettená
por Daniella Pettená·26 de outubro de 2026
Empreender sozinha não deveria ser tão solitário: sobre amizade, carreira e conexão depois dos 40

Eu não tenho amigas.

Vejo esses filmes de amigas que viajam juntas, ligam pra contar os babados, aparecem sem avisar com uma garrafa de vinho, e morro de inveja. Claro, tenho pessoas próximas por quem tenho muito carinho. Mas amiiiiiga assim, dessas de filme, que se falam todo dia e frequentam a casa uma da outra? Não sei nem se isso existe de verdade.

A culpa é minha (e tudo bem admitir isso)

Não sou uma pessoa presente. Esqueço aniversários e tenho uma preguiça danada de ir a eventos sociais. Podia dizer que é coisa de velho, agora que estou chegando nos 44, mas sou assim desde criança.

E uma coisa é fato: eu priorizei minha vida profissional acima de quase tudo. A jornada dupla da faculdade não ajudava, e quando eu chegava em casa só queria descansar. Depois vieram o namorido, a casa, e cada vez menos espaço pra amizades.

Hoje, meu melhor amigo é o meu marido, que também é meu sócio.

Mas olha, não tem vitimismo nenhum aqui. Eu sei exatamente por que não tenho amigas: simplesmente não priorizei isso. Foi escolha, mesmo que eu não tenha percebido que estava escolhendo.

A solidão que ninguém coloca no plano de negócios

Estou contando isso porque sinto falta de compartilhar as experiências da vida com mais alguém. E desconfio que muita gente que está lendo sente a mesma coisa.

Não só na vida pessoal. Na profissional também.

Quando você trabalha numa empresa, tem colega pra reclamar da reunião, pra comemorar a meta batida, pra tomar um café e pensar junto numa decisão difícil. Quando você vira profissional solo, isso some de um dia pro outro. Ninguém te avisa.

E aí você fecha um contrato incrível e comemora sozinha na frente do notebook. Uma reunião dá errado e você fica remoendo por dias. Precisa decidir se aumenta o preço, se aceita aquele cliente esquisito, se muda de nicho, e não tem com quem pensar em voz alta.

O Alexandre Steinberg trouxe um dado que me fez pensar muito sobre isso: segundo o Startup Snapshot de 2023, 76% dos empreendedores dizem que a pressão do negócio sobra pro parceiro de vida. Menos da metade divide com o sócio, e só 10% conversam com investidores.

Eu me reconheci nos 76%. Coitado do meu marido.

A tentativa (e o esfriamento)

Há um tempo, criei um grupo com vários profissionais incríveis, em fase de transição pra consultoria, com quem eu tinha conversado aqui no LinkedIn nos últimos meses.

A gente fez um encontro online e foi amor à primeira vista. Todo mundo se identificou, trocou ideia, saiu inspirado. Já rolou até parceria de negócio ali dentro.

Depois esfriou. Cada um foi pro seu lado, a vida aconteceu de novo, e o grupo ficou lá, quietinho.

Talvez eu não seja boa nisso mesmo, essa coisa de manter conexão. Mas eu quero ser.

Por que isso importa pro seu negócio também

Pode parecer que esse texto saiu do tema do blog, mas não saiu, não.

Quem tem um negócio solo vive de capital social: quem te conhece, quem confia em você, quem te indicaria. E capital social se constrói exatamente com essas relações que a gente deixa esfriar por falta de tempo.

Mais do que isso, ter gente com quem trocar te faz um profissional melhor. Uma conversa com alguém que está passando pelo mesmo que você vale mais do que muito curso por aí. Você ganha perspectiva, repertório, coragem, e às vezes até cliente.

Ser profissional solo não precisa significar fazer tudo sozinho.

O que eu acredito que faz diferença

Ainda estou aprendendo, então não vou fingir que tenho a fórmula. Mas olhando pra minha experiência, acho que alguns caminhos fazem sentido:

Colocar na agenda. Se a gente não marca, não acontece. Relação também precisa de recorrência, igual qualquer outro compromisso importante.

Começar pequeno. Um grupo de quatro pessoas que se encontra sempre vale mais do que uma comunidade enorme que ninguém frequenta.

Ter um motivo pra se encontrar. Trocar sobre um tema, revisar o trabalho um do outro, compartilhar os números do mês. Um propósito ajuda a manter o encontro vivo quando a empolgação inicial passa.

Buscar gente fora da sua bolha. Comunidades, eventos, mentorias em grupo. Os melhores encontros que tive nos últimos meses começaram com um desconhecido que me mandou mensagem aqui no LinkedIn.

Agora é com vocês

Esse texto termina com um pedido de ajuda: como vocês fazem pra manter amizades e relações próximas depois dos 40? Principalmente quem empreende sozinho e vive com a agenda apertada.

E se você também está nessa jornada solo e quer trocar experiências, sem ninguém tentar vender nada pra ninguém, me chama no WhatsApp. Quem sabe a gente não começa um café por aí.

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