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Como parei de pedir ideias ao Claude e redesenhei minha oferta

Antes de pedir ideias à IA, fui ouvir clientes reais. Veja como essa ordem mudou minha oferta e linha editorial de consultoria.

Daniella Pettená
por Daniella Pettená·11 de julho de 2026
Como parei de pedir ideias ao Claude e redesenhei minha oferta

O que acontece quando você fecha a aba do Claude e abre o LinkedIn

Eu estava num daqueles loops. Sabe aquele momento em que você percebe que passou a última hora pedindo pra IA te dar ideias de como crescer o faturamento, e no final da lista você tem 30 sugestões genéricas que poderiam servir pra qualquer consultor, em qualquer nicho, em qualquer país? Pois é. Fui eu.

O problema não é o Claude. O Claude é excelente. O problema é a ordem em que você usa ele.

Quando você pede ideia pra uma IA antes de ir falar com gente de verdade, você tá construindo solução sobre suposição. E suposição não paga boleto.

O que eu fiz diferente

Fechei o Claude. Abri o LinkedIn. Listei dez pessoas do meu círculo próximo que poderiam, em tese, ser clientes meus, e chamei cada uma delas pra um bate-papo sem agenda de venda nenhuma. Só pra ouvir. Perguntei sobre os desafios que estavam enfrentando, onde estavam travadas nas transições, o que tinham tentado, o que tinha funcionado, o que não tinha.

Anotei tudo.

Depois disso, aí sim, abri o Claude de novo. Mas dessa vez com dados na mão: as dores que apareceram em mais de uma conversa, as aspirações que ninguém estava conseguindo nomear, os padrões que eu só percebi porque deixei as pessoas falarem sem interromper. Pedi ajuda pra redesenhar minha solução com base nisso tudo, e o output foi completamente diferente de qualquer coisa que eu teria conseguido jogando "como aumentar meu faturamento como consultora" na caixa de texto.

Parei de pedir pro Claude ideias genéricas e fiz isso

Por que a ordem importa tanto

A IA não sabe quem é o seu cliente. Ela sabe tudo sobre clientes em geral, sobre padrões de comportamento de consumidor, sobre frameworks de oferta e posicionamento, mas ela não sabe que a Fernanda, que tem 47 anos, saiu de uma diretoria de RH depois de uma reestruturação e agora não sabe como empacotar 20 anos de gestão de pessoas numa oferta que não seja "dou treinamento corporativo". Esse detalhe específico, essa combinação de bagagem e medo e aspiração, só existe numa conversa real.

Quando você inverte a ordem, quando você vai pra conversa primeiro e chega na IA com material concreto, o resultado muda de patamar. Você para de receber lista de ação e passa a receber raciocínio estratégico aplicado ao seu contexto. É uma diferença absurda.

Tem outro ganho que eu não esperava: as conversas viraram linha editorial. Cada bate-papo desses me deu pelo menos dois ou três temas de conteúdo que eu nunca teria levantado sozinha, porque são as perguntas que as pessoas de fato têm, não as perguntas que eu acho que elas têm. Isso sozinho já justificaria o exercício, mesmo que eu não mudasse nada na oferta.

O que você faz com o que escuta

Tem uma habilidade específica aqui que não é óbvia: você precisa saber separar o sintoma da dor de verdade. As pessoas raramente nomeiam o que as trava com precisão cirúrgica. Elas falam "não sei como captar clientes" quando o que está acontecendo de fato é que a oferta não tem posicionamento nenhum, aí qualquer pessoa que chega na conversa de venda fica confusa sobre o que está comprando. Se você sair da conversa só com "preciso aprender a captar clientes", você vai criar conteúdo e produto pra um sintoma, não pra causa.

Por isso escuta com atenção no que se repete, no que a pessoa hesita antes de falar, no que ela menciona como vitória pequena mas que na verdade é o maior sinal do que ela quer conseguir de novo. Esse material bruto é o que você leva pra IA. Não a transcrição, a sua leitura da transcrição.

Se você tá pensando em estruturar uma consultoria própria e quer entender melhor como transformar esse tipo de capital que você carrega, o que você sabe, quem você conhece, como você é percebido, em oferta com valor de verdade, vale dar uma olhada em por que cobrar por hora pode destruir sua consultoria antes de sair redesenhando o que você vende. E se você ainda tá no começo da virada, pensando se essa vida de consultor faz sentido pra você, tem bastante coisa concreta sobre isso em demissão e recolocação depois dos 40 anos.

Uma coisa que esse exercício revelou sobre mim

Quando eu ouvi essas dez pessoas, percebi que algumas suposições que eu carregava sobre o meu público estavam tortas. Não completamente erradas, mas deslocadas o suficiente pra explicar por que certas mensagens minhas não estavam chegando. Eu achava que o maior medo era financeiro, a instabilidade de sair do emprego fixo. Mas o que apareceu com mais força foi outra coisa: o medo de não ser levado a sério sem o crachá corporativo por trás, de chegar numa sala e não ter a carteirada institucional pra abrir a conversa.

Isso muda tudo. Muda o que eu escrevo, muda como eu estruturo uma conversa de venda, muda o que eu priorizo numa oferta. E eu não teria chegado nisso pedindo trinta ideias pra uma IA.

Você tem dez contatos no LinkedIn que poderiam ser clientes seus? Acho que sim. Me conta o que aparece quando você for ouvir de verdade.

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